domingo, 6 de dezembro de 2009

O tempo (às vezes) passa!...

A memória, que tantas vezes nos atraiçoa... tantas vezes é a única que consegue reatar os bons momentos. É ela que nos liga a algo, é ela uma ponte para um passado (feliz...), um elo de ligação a tudo que já foi. É ela que nos faz acreditar que não, dando sentido ao presente na ausência. É ela. Que nos faz crer que o passado continua presente, mesmo que tudo não passe de um deslocamento nosso. É ela, sim...! É ela que dá sentido ao que por vezes não tem, numa primeira abordagem.
Quando cresce, muda de nome. Chama-se "Recordação". E que crescida está! Parte de nós dar-lhe o mimo, carinho e educação merecida (não vá esta estragar tudo, aparecendo quando não deve).
Porque apesar desta "memória adulta" ser a causadora de tudo isto, somos nós os responsáveis por mantê-la viva. Um dia é só isso que nos resta...


.LittleCharles

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

(Ainda assim...) Encontramo-nos muitas vezes.



Há músicas que não pagam portagem, que não pagam taxas. Mal as ouvimos, viajamos como que de repente. E isto acontece comigo. Acontece com todos. Esta música reporta-me ao dia em que a minha tia-avó (avó, tão somente... ela sabe-o) fez com que me ligassem. Ouvi-a quando aconteceu. Sozinho, a três mil quilómetros de casa. Digo isto, mas não penso em ti. Vivi tudo a distância, uma vez mais. Não pude estar perto fisicamente... como estive noutras alturas. Dai ainda me custar a engolir.
Lembro-me como fosse hoje o que cada um deles me disse. O grau de consciência e carinho, contrariando todos os médicos, diagnósticos e prognósticos. Digo isto mas não penso neles. Sempre foram lutando até ao fim.
É só que com isto, e sem me lembrar de nenhum de vós, me deixaram confuso e com uma sensação inacabada. Como a "educação é muito bonita", e voltei de Portugal há uns dias... não tive tempo de me despedir. Não que pense em vocês, não não! Só mesmo porque é de bom tom dizer que retornei "ao estrangeiro" para continuar esta jornada tão apoiada por vocês. Mas com as pressas e o pouco tempo que aí estive, não vos vi a tempo de me despedir. É isso, não me despedi de vocês. Assumo e desculpo-me publicamente.
Até já Avô. Até já Avó.

(E isto porque não penso em ti. Não penso em vós............................)



.LittleCharles

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quando passo um dia inteiro...





"Quem tem dois corações
Me faça presente de um
Que eu já fui dono de dois
E já não tenho nenhum

Dá-me beijos dá-me tantos
Que enleado em teus encantos
Preso nos abraços teus
Eu não sinta a própria vida
Nem minh'alma ave perdida
No azul amor dos teus céus

Botão de rosa menina
Carinhosa, pequenina
Corpinho de tentação
Vem morar na minha vida
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração.
Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de janeiro
No junho do meu carinho."

Fernando Pessoa


(.LittleCharles)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Recuerdos...

De todo o sentido que as coisas têm e da força com que nos são retiradas.
O "tem de ser" torna-se imperativo.
Tudo se torna imperativo.
(Assim como o desejo de voltar.)
Se fosse eu o dono da palavra, a história seria bem diferente...

.LittleCharles

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Guerras de cócegas... (ao ouvido).


Conhecemo-nos há muito. Não sabia que parecias um “raticaval”. Em pequenas buscas caseiras, dei com recordações. Álbuns, recortes, chiclas, (leia-se “meias-chiclas”), cartas. Estas ultimas, uma revelação. Para os meus doze anos, ainda hoje, foram, são uma revelação. Tão marcantes que até hoje me apetece rasgar tudo o que até ai tinha escrito. “Voltar” torna-se imperativo.

E assim vivemos tantas batalhas de arma ao ombro. Cada vez que íamos para uma, sabíamos que podíamos não voltar..tu, eu...ambos. Mas no fundo sabíamos sempre que isso não estava nunca nos planos. Resistimos. Vimos colegas a cair em pleno terreno de guerra...sem sangue de luta.

Regressávamos, Ensangüentados. Os filmes, as bombas de gasolina, os rebuçados “gelatinosos”, as batatas que ninguém gostava, o Porto. Nasci por lá. Conheço-o por muita gente. Tenho lá familiares, amigos, raízes, uma história. A Ribeira, o Cais de Gaia, o Museu dos Presuntos. Nada era novo... até os visitarmos juntos. Eu parecia conhecer mais da invicta do que tu... e como sentia que me mostravas um Mundo desconhecido. Explicaste-me cada rua, avenida, cada historia... cada olhar. Contigo aprendi a rir, a fazer rir, a rir ainda mais. A ser paciente, a ter paciência, a dar o braço a torcer. Contigo reaprendi. E sim, coisas boas!...

Lembro-me de marcarmos horas, da mesma forma que não as cumpríamos. E de gostar disso. Lembro-me do teu cheiro, associado a cada momento. Lembro-me de tudo. Só não me quero lembrar de como irei ao Porto, à Ribeira, ao Cais de Gaia, ao Museu dos presuntos. Quem de novo me mostrará uma coisa tão antiga, senão tu? Parece-me lógico que fique intrigado, aborrecido... mas não, não (exteriorizo) que esteja magoado. Mas... bolas! Era pedir assim tanto que chegasses ao fim da carta? Da página? Do Livro?

Tss... já não se fazem batalhas como antigamente!...

.LittleCharles

domingo, 20 de setembro de 2009

“Vida” aka “Eterno descanso”


Distância. Vazio. Solidão. Arritmias aos milhares. Descargas abruptas de adrenalina. Coração aos pedaços. Saudade...

Isto não é a vida... é sim, a morte. Morte lenta, com tortura. A vida... essa vem depois.

.LittleCharles

terça-feira, 25 de agosto de 2009

22.08.09 / 20.00 H


O tempo escasseia, a necessidade aperta. Sentado num bar, parecemos estar ao mesmo nível do universo. O pôr do sol, o frio, o mar, a areia.

O mar “melhor agora”, como se ouve em conversas, provavelmente por descansar do árduo dia de trabalho. A areia, essa não fala... porque se falasse, a julgar pela irregularidade na sua forma, teria bastante a dizer. As bandeiras, começaram o seu dia de trabalho. As gaivotas, essas privilegiadas, não descansam... com a sua invejável visão lá do alto, sobre tudo. O senhor que passeia à beira-mar, transportando consigo uma tonelada de problemas, (ou então não).

Eu aqui me encontro, sem maquina fotográfica a fotografar tudo. Prolongo a despedida do sol... e penso o quão ingratos somos. Temos o Mundo aos nossos pés e não paramos para reparar nele... apesar de todos os sinais que este nos dá. Não é à toa que às vezes se revolta.

Já tinha saudades disto tudo. Algo me diz que terei ainda mais!...

.LittleCharles

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A vida dividida em Terminais...


Aeroporto de Viena. Oitavo episódio da segunda temporada de uma série que regularmente acompanho.

Aeroporto... onde tudo se encontra, separa, reencontra. Um episódio que fala de coragem, de reencontros, de grandes amores, de saudades, de lutas e conquistas, da amizade, da morte ... e de tudo que a ela possa estar ligado. Tudo pode estar ligado, tudo está ligado. De amores perdidos e da felicidade que é um reencontro perfeito. De pessoas, de multidões, do feito e do desfeito. Do acreditar, à realização... do sonho ao abraço. Do “olhar em direção a”, ao correr imaginado, pensado, idealizado mas ainda assim tão diferente e tão igual a ele mesmo. À união... à sensação única de um só. Um corpo. Da procura desenfreada de um olhar inquieto que só quer descanso...! Ao momento de ter quem amamos nos braços, que tantas vezes é interceptado pelo medo de não o ter nunca mais em parte alguma física do corpo. Ao saber todos os sentimentos pelos quais podemos passar, mas ao mesmo tempo sem nenhuma certeza.

Foi este paralelo que senti hoje. Hoje olho à volta e vejo felicidade nas pessoas que me rodeiam. Estão todas de regresso. Não a um regresso forçado, mas sim ao pretendido.

E esta é e será sempre a dualidade de todos os aeroportos. Um misto de felicidade, melancolia, tristeza e introspecção. Na volta conversamos...

.LittleCharles

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Horácio e os mistérios...




"Um dia também seremos capazes".

(Clicar em cada imagem para aumentar).

.LittleCharles

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A vida trajada a rigor!


Engane-se quem passa. O preto é tudo menos luto. É festa. Tudo feliz, tudo a cometer loucuras, até a do perdão. A queima das fitas é isto mesmo. A festa do exagero, do inicio, do final.

    Muitos caracterizam-na pela sua intensidade assim como pela sua brevidade. Correm sorrisos, lágrimas, suspiros de alívio, saudade do que ainda não acabou, receio do futuro que ainda não chegou... e as seis da manhã, com o “copito” a mais no meio do barulho, reina o silêncio.

     É aqui que paro. Olho em redor... apercebo-me que o que marca a nossa adolescência, não é a entrada na faculdade nem a saída desta. O que nos distancia de uma criança está, de forma personificada, bastante notório em todo o estudante que se veste a rigor. A capa negra.

     Assim como na vida, a altura de trajar compara-nos ao “crescimento” (chamemos-lhe assim). Por esta altura somos tudo menos puros. Estamos com tantas defesas que nos sentimos pesados. Deixamos de ser crianças... deixamos de ser sinceros como éramos quando víamos uma pessoa gorda. Deixamos de fazer o que deveria ser o acertado, sem orgulhos, sem ressentimentos. Deixamos de ser nós para passarmos a ser frutos da sociedade, abrigando-nos de tudo que esta tem de pior (que é mais de metade). Simplesmente deixamos.

E o que as pessoas (ainda mais velhas) dizem disto? “Estás a crescer”. Crescer pelos visto e isso mesmo, é levar “patadas” e defendermo-nos de uma próxima. Crescer deve ser “nascer uma coisa e morrer outra”. É... deve ser isso. Quando damos por nós, estamos assim: vestidos de preto (de luto com a vida), e com uma capa que faz um calor tremendo, mas que nem assim a deixam de usar em dias de sol.

  Desculpem se não me virem trajado, desculpem se sou muito “criança” para a minha idade. Se me desculparem, eu desculpar-vos-ei também. Quando estiverem trajados a rigor, tracem a capa em prol da tradição, apenas. Se assim o fizerem, podem acabar o curso como adultos, sem terem de voltar ao ensino básico. Cresçam sem a capa, senhores doutores!

 

.LittleCharles

Um velho/novo amigo...


Há pessoas marcantes. Há momentos marcantes. Há coisas que marcam. Por isso decidi dar a conhecer, um velho amigo. Conhecemo-nos desde pequeninos. A nossa relação não e como a de Voltaire com Deus, que dizia “Cumprimentamo-nos mas não nos falamos”. A nossa relação é mais uma amizade de infância, mais de “Cumprimento-o e ele, à sua maneira, lá me vai dando respostas”.

O seu nome é Horácio. E vai fazer parte, esporadicamente,  deste rascunho que faço de quando a quando. De braços pequeninos e cabecinha grande, mostra-nos que podemos ir onde quisermos, que não existem barreiras, diferenças ou limitações. Ensinou-me a mim. Hoje passo o testemunho.

Bem vindo, Horácio.

 

 

.LittleCharles




(Clicar na imagem para aumentar).



sábado, 2 de maio de 2009

Cruzamentos que marcam a diferença...


Diferenças caracterizam-nos, moldam-nos. Ao mesmo tempo, são elas que nos despertam a atenção, que nos fazem “fazer reparar”.

Todos nós somos assim, diferentes à nossa maneira, bem própria, bem característica. Parte de nós, e somente de nós, controlar a nossa diferença e conduzi-la na direcção certa. Como em tudo na vida, a certa altura deparamo-nos com vários caminhos e todos sabemos que só podemos optar por um. E aí somos livres. Aí pela primeira vez somos livres. Livres de optar, livres de utilizar os nossos próprios meios, sejam eles uma simples bússola ou um mais complicado astrolábio. Mas somos sempre livres de usar o que quisermos.

Aquando da opção tomada, começamos a criar a nossa própria diferença.

Se aos nossos olhos, o caminho tomado não foi o dito, “correcto”… não faz mal. Há de ser o correcto para outro alguém. Aí não podemos ser egoístas. Aí deixamos as pessoas viverem a sua diferença, nunca esquecendo o local, dia, hora, minuto, segundo que a decisão foi tomada. Seguimos a estrada divergente, olhando para trás, vivendo inconscientemente do passado. A diferença, fez com que não vivêssemos na mesma casa, optando livremente por sermos vizinhos de coração.

E sempre que me sinto só, (apesar de ver da janela a felicidade da minha vizinhança) vou aquele cruzamento que marcou a diferença… onde tudo começou, onde tudo acabou.




.LittleCharles

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ando a dormir demais...


Não me apetece escrever, da mesma forma que não me apetece fazer nada. Mas escrevo e tento fazer qualquer coisa. Escrevo porque me sinto mais perto (mesmo que não saiba de quê), faço qualquer coisa porque a vida assim está estipulada.

   Não me lembro de um dia que não vá contra mim. Que não lute comigo próprio. Questiono-me porque se mente. Questiono porque se diz e faz tanta coisa ruim.

   Hoje é assim, um post pequeno mas intenso.

   Sinto a falta de quem já partiu deste Mundo. Mas foi apenas deste Mundo, dito real. Esses sim, teriam algo a dizer... saberiam como usar as palavras, como sempre souberam. Ultimamente sinto cada vez mais falta de tudo, ainda que muitas coisas não devesse sequer “sentir”, quanto mais a “falta”.

   Deve ser por isso que me apetece tanto dormir... encontro-me com eles todos. E depois é sempre como hoje: acordo!

 

(ou devia... )

 

 

.Little Charles

sábado, 18 de abril de 2009

O Pinóquio de cada um...


Nem sou de me incomodar. Mas hoje estou assim, incomodado! Detesto faltas de palavra, de confiança, de princípios. Só me lembro de ter faltado a palavra por uma razão: para bem, sempre em prol de beneficiar, nunca de prejudicar.

O Ser Humano incomoda-me. As, ditas, defesas do Ser Humano, incomodam-me. O baixar de nível do Ser Humano, incomoda-me. Mas não deveria estar nem um pouco incomodado. Porque descarrego no Ser Humano, características de pessoas que não o são. Alias, não podem ser. O Ser Humano não tem razoes para ser assim. Somos racionais, conscientes, julgo que sempre cientes das nossas atitudes e consequências das mesmas. Não vamos agir de cabeça quente, nunca. Pode não haver retrocesso possível. E aí vamos pensar... pensamos sempre quando já não há volta a dar. Não devemos esquecer quem amamos. Não nos devemos desculpabilizar na altura de nos penitenciarmos. Não devemos inverter os papeis só para ser mais fácil. O fácil torna-se difícil, assim como o barato se torna caro.

A verdadeira culpa está em quem se deixa incomodar. Hoje vamos dar a volta a isto. Farei minhas as tuas palavras “Deolinda”,

 

“Agora sim damos a volta a isto

Agora sim há pernas para andar

Agora sim eu sinto o optimismo

Vamos em frente ninguém nos vai parar.”

 

Não se incomodem. Não se iludam. Quem quer o vosso bem, quer sempre. Caso contrario nunca o quis. Orgulhem-se de serem quem são, e nunca esqueçam quem amam. Fará de vós pessoas de valor, de amor próprio. Tratar mal é fácil, fazer o bem custa. Mas vamos pelos caminhos difíceis. Dão mais gosto no final. E no final tudo dá certo… se não deu, é porque ele ainda não chegou.

Devíamos todos, em certa altura da nossa vida, passarmos por “Pinóquios”. Punha-mos os pratos limpos. Devia-nos crescer o nariz perante a mentira, sermos de madeira para podermos bater com a cabeça e no final…sim, no final… tornarmo-nos todos meninos e meninas de verdade.

 

.LittleCharles

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Passing By...


Gostava ser vazio de sentimentos. Passar pela vida, sem sentir. Sem objectivos, sem ligações, sem dor. Não me venham dizer que não é possível, conheço quem seja. Era tudo tão mais fácil...

Se não tivesse objectivos, contentava-me com o que a vida me desse... sem exigir de mim, dela. Se não fosse ligado a nada, nem a ninguém... não teria raízes. Seria vazio, eu sei. E então?

Quem nunca sofreu por algo, o único “sofrimento” que tem (porque acaba por ser apenas “curiosidade”) é o de querer saber como seria. É como um grande amor. Contam-se pelos dedos quem já amou de verdade. Quem não amou, não sofreu. Pelo menos por isso não sofreu... sofre por não saber como é. Mas é um sofrimento relativo. Dizem que têm “pena”, mas só precisam de uns segundos e já estão bem outra vez. É como que “sofrer por antecipação”. Há quem diga que pode estar acoplado ao “medo”, ao “receio”. Talvez.

Certo dia, disseram-me:

“Cada um de nós tem o amor de uma vida... podes conhecer várias pessoas de uma vida... mas amor só vai haver um... e esse é o teu. A maioria das vezes o amor da nossa vida não é a pessoa que vai ficar connosco até ao fim dos nossos dias. Mas é mesmo assim: custa, enfrentas, ultrapassas e depois recordas sempre com muita tristeza, remorsos, arrependimento até.... mas é o amor da tua vida! Por vezes o amor da nossa vida é alguém com quem a relação já estava "destinada" a não funcionar... mas é ele. Quando nos cruzamos o coração pula, chora, ri, chama... Meu Deus, é um turbilhão de sentimentos, mesmo quando se está de mão dada com outra pessoa!... Não há nada a fazer... Há coisas na vida que não podemos simplesmente dizer- Não quero, obrigado!“.

Assusta a veracidade disto, por isso prefiro questionar primeiro. Ganho tempo. Custa pensar que o amor da nossa vida se possa cruzar connosco, com um menino de três anos e dizer “ Diz olá a este senhor, colega da mamã”. Isto sim, é passar pela vida. Isto sim dói, assusta, faz tremer o chão. Não sou capaz de ter outra vida que não a minha. Isso seria hipocrisia. Iria sofrer na mesma... e para isso prefiro sofrer sozinho, com alguns objectivos, algumas ligações e muita dor.

Acho que já não quero ser vazio de sentimentos. Além do trabalho que me daria agora, já não conseguiria. Portanto só preciso arranjar um plano B. Só preciso que à minha volta exista luta, exista vontade de mostrar. E não me venham com tretas que não somos todos iguais, que as vezes é difícil “mostrar” o que quer que seja, quando até um ladrão sabe que o mais difícil, é esconder..............

 

 

.LittleCharles

terça-feira, 7 de abril de 2009

Porque o tempo passa muito depressa...


Quarto Mu(N)do, 7 Abril 2009

 

Querido Senhor José:

 

            O meu nome é L. Começo esta carta felicitando-o pela sua sorte. Não apenas por tudo o que enumerou, mas pela capacidade que tem de se aperceber de tal. O sabor de ter 102 anos e se gabar de ter nascido. O carinho com que diz ser sortudo por “poder abraçar a sua mulher”, também ela sortuda, por ter partilhado uma vida inteira consigo e ainda se poder gabar de tais palavras. Um amor! O seu positivismo, bom coração e alegria de viver, fizeram-me pensar... espero não ter sido o único. Conseguir agradecer o facto de a sua vida se ter cruzado com a dos seus Amigos, erguer a cabeça e se conseguir despedir deles... é de se lhe tirar o chapéu.

            “Eu vivi momentos piores do que este”. Questiono-me quais, assim como a sua gravidade... pois conseguem ser irrisórios face a tudo de bom que a vida lhe proporcionou. Quero viver momentos piores do que estes também, e no fim “só recordar as coisas boas”.

Mas esta carta é inevitavelmente acompanhada de uma questão... é preciso toda a gente chegar aos 102 anos para ter a consciência de não perder tempo com parvoíces, e ir a procura daquilo que lhes faz feliz? Quero acreditar que não Senhor José, mas está difícil. Quero chegar ao fim e a única coisa a apontar à vida, seja mesmo a brevidade. Realmente, estamos mesmo aqui para ser felizes...! Um bem haja Senhor José... um bem haja.

Atenciosamente,

 

.LittleCharles

 

 

P.S.: Quanto a ti “pequenina”, foi a melhor altura para vires ao Mundo... só te fará mais forte... (e diz-se por aí que esses é que se safam à grande!).



sexta-feira, 3 de abril de 2009

Vamos todos fraquejar?


“Em física clássica, a força (F) é aquilo que pode alterar (num mesmo referencial assumido inercial) o estado de repouso ou de movimento de um corpo, ou de deformá-lo.”

A força altera tudo, movimenta por onde passa… chega a ser tão forte que adquire a capacidade de deformar. Isto quando ela existe, caso contrário somos invadidos por uma súbita onda de fraqueza. E não será a força uma forma de fraqueza? Assim como o ódio, que dizem ser uma forma de amor... a que se segue, no processo dito “normal” da vida. Senão vejamos: se estou forte, é porque fraquejei; se estou fraco, preciso de meios para me sentir forte... mesmo que seja utópico. A força de terceiros tem, por vezes, a capacidade de “alterar o nosso estado de repouso”, mexendo connosco, movimentando-nos (ou fazendo-nos movimentar), e aí por vezes fraquejamos. Não é normal alguém ser forte de forma desmedida, aliás nada que seja desmedido é bom. Tem de ser tudo com peso e medida, com prós e contras. O exagero estraga. O exagero do bom é capaz de criar mais danos que o do mau.

Ser fraco, ou melhor, fraquejar não e visto com bons olhos. Mas porquê? Porque é que quem fraqueja tem de o fazer pra si? Em silêncio? Hoje em dia, fraquejar é visto como a flatulência.Pode-se fraquejar, mas é mal visto socialmente. Desculpa-se, mas é mal visto socialmente. Tem-se pena de quem fraquejou, mas vangloria-se quem é forte. Se é defesa ou não, que importa? O importante é que é forte, não interessa se por dentro é uma alma fraca, podre... ou se vive a vida toda com uma capa e não consegue exprimir os sentimentos, lutar e ter o que realmente quer. Que importa isso? Desde que seja forte, nada mais importa.

-“Conheces o Armando?”

-“Aquele assim para o forte?”

Até nestas situações impingimos a força a terceiros! Não podemos dizer que é alto, boa pessoa e honrado. Não. “ É assim para o forte”. É carinhosa a palavra, meiga, dócil. Então vamos usá-la.

Obrigamos os outros a terem força. Parece que é o correcto. Porque é que não se pode fraquejar? É preciso fraquejar tudo para nunca mais se fraquejar pelo mesmo. É preciso curar. Vamos fraquejar todos juntos. Vamos escrever em pedras tudo aquilo em que fraquejamos... vamos subir a uma montanha e, simbolicamente, “jogar fora” tudo aquilo que não fraquejamos em condições. Daí para a frente vamos fraquejar até ao fim para não termos na nossa vida pedaços de fraqueza.

Um organismo em constante força, cansa-se... mas descansa a alma. Fraquejar não é nada mais, nada menos, que o descanso do corpo... e o cansaço da alma triste.

Queria ter postado ate ao final do dia 2... mas fraquejei. Fraquejei até ao fim, evitei mais uma pedra e agora estou cheio de...FORÇA!!!

 

 

.LittleCharles

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quando mudar parece estar fora dos planos...


“Já sabes como ele é...”, “Dá um desconto...” , “Já sabes o que a casa gasta...”, “Já o conheces...” (...) Hei de ter 80 anos (se tiver), e hei de ouvir as mesmas frases, as mesmas vozes a pedir que desculpe alguém pelo feitio. Oitenta anos, sublinhe-se. Reforço oitenta porque não quis ser exagerado, numa de fugir à rotina. Quem usou palavras como “sempre” e “eternidade” pode muito bem não exagerar agora e dizer oitenta anos.

O Ser Humano tem capacidades fantásticas. Outras não... mas são essas que fazem as outras serem fantásticas, e que por isso são fantásticas também. Então reformulo a frase: O Ser Humano SÓ tem capacidades fantásticas. Uma delas é o facto de conscientemente poder optar, distingue-nos dos demais, ditos “animais”. Outra é possuir um subconsciente, que muitas vezes nos faz agir de forma inconsciente (prefiro acreditar).

Um facto que apoia o que disse anteriormente é quando, consciente ou inconscientemente, recorremos a defesas para suportar situações: ou porque nos chateamos sem razão, ou porque dizemos ou fazemos coisas “sem pensar” (...). Atitudes levadas a cabo por nós (ou pelo nosso subconsciente) para que consigamos suportar certas adversidades da vida, sejam elas quais forem, simples ou complexas. São barreiras e isso por si só é o suficiente. Quando tal acontece, ou pensamos para nós próprios, ou alguém nos relembra: “Já sabes como ele é...”, “Dá um desconto...” , “Já sabes o que a casa gasta...”, “Já o conheces...” (...). Quando mudar parece estar fora dos planos. É mais fácil descartar responsabilidades. Sempre foi. Da mesma maneira que apontar o dedo o é. Bem, o que é certo é que isso parece resultar para alguns, daí não criticar... apenas constatar.

Mas ate que ponto temos o direito de quebrar promessas, de mentir, de privar? Ah, já sei... vou continuar a desculpar pelo feitio. Fica aqui prometido. “Para sempre”. Dia 1 de Abril.


.LittleCharles

terça-feira, 31 de março de 2009

Conversa com o Diabo


Há dias falei com o diabo. Irrita-me que o pseudo-caracterizem. Não tinha cornos, não era avermelhado e muito menos usava um tridente. Era, como se diz na gíria, “cor-de-pele”, estatura normal... bem ao “nosso” estilo.

A ideia que temos de criar uma imagem, uma figura onde depositar o nosso medo... não passa de um deslocamento fantasiado dos nossos receios. É tão mais fácil acreditar que o mal está depois da morte, numa personagem criada por nós, do que acreditar que ele está ao virar da esquina, num de nós... as vezes em quem nos é (ou era) mais próximo. Diabo é quem tem a capacidade de atingir, de magoar, de fazer mal (não é esta a definição que vem no dicionário, mas podia ser). Diabo não há um, há vários... mas poucos. Há vários no Mundo, mas poucos na vida de cada um. E porquê? Porque não são todos detentores do poder de atingir, de fazer mal. Só aqueles que, por uma razão ou por outra, marcaram de alguma forma a vida de cada um.

Dói pensar desta forma. Longe de mim querer com isto olhar sempre de lado em meu redor. Simplesmente sei que é verdade. Não pelas melhores razões...! Estes diabos aparecem na nossa vida para nos alertar... para aprendermos. Quando um “eu bem te avisei” substitui um “Adeus” na mais banal das conversas... é quando percebemos que alguém, que para nós não tinha costas, passa a ser um encorpado e corpulento diabo do dia-a-dia. Estes sim é que doem.

Devia existir na vida, uma régua que possibilitasse a medição do “diabo que há em nós”. Uma régua que permitisse medir as nossas atitudes, as nossas palavras...!Mas para tal é preciso que tenhamos altura... e a altura só vem depois do crescimento. Só tinha vantagens... ajudava um juízo final e não tínhamos nós de andar a fazer “juízos” a vida toda.

Isto não é em tom de desabafo... é uma construção frásica, bem floreada, em tom de aviso. Se tivessem feito o mesmo comigo, teria mais anjos na minha vida... e continuaria a acreditar que o diabo aparece depois da morte, tem cornos, é avermelhado e usa um tridente.


.LittleCharles

quinta-feira, 19 de março de 2009

Uma verdade incontornável...


"(...)Quando se é feliz muito novo, a única obsessão que se tem é
aguentar a coisa. Vive-se ansiosamente com a desconfiança, quase 
certeza da coisa piorar. O pior é que as pessoas que se habituaram 
a serem felizes não sabem sofrer. Sofrem o triplo de quem já sofreu.
É injusto mas é assim. 
No amor é igual. Vive-se à espera dele e, quando finalmente se alcança, 
vive-se com medo de perdê-lo. E depois de perdê-lo, já não há mais 
nada para esperar. Continuar é como morrer. As pessoas haviam de 
encontrar o grande amor das suas vidas só quando fossem velhas. É 
sempre melhor viver antes da felicidade do que depois dela."

                                                                                                                     MEC.

Elogio ao Amor...


"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso "In Expresso"

quarta-feira, 18 de março de 2009

"Prisão"



"Mas eles dizem que é pior falar
E vão falando para ninguém ouvir
No fim tu sabes onde me encontrar
Traz coisas para destruir

Quantas linhas mais vou ter de ler 
Das que escreves para me dizer 
quanto medo tens de abrir mão do medo e mergulhar no caos

mas eram culpas e as suas más desculpas
e a quem batemos à porta nesse dia
minha vontade meu amor que bem sabia
diz-me que sonhos tens diz-me o que vês

sou uma prisão de que fujo a que regresso

não vês como é bom dizer eu tentei
quem sabe eu parti quem sabe eu voltei

Mas eles dizem que é pior falar
E vão falando para ninguém ouvir
No fim tu sabes onde me encontrar
Traz coisas para destruir

Sim o que for tem de ser
Sim foi o que eu quis dizer
Pudesse eu querer mais
o que for tem de ser

não faças deixa que aconteça 
agarra no momento para que não desapareça 

detesto fazê-lo mas eu não resisto
nesse momento eu começo a sentir o alívio do ver

SOU UMA PRISÃO DE QUE FUJO A QUE REGRESSO! "

Manel Cruz - "Pluto"

terça-feira, 3 de março de 2009

"LeRoi Moore and Life"


"...please take the time to appreciate the ones you love. 

God bless...".

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Rente ao dizer...


"É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
do Pessoa ou nos bosques
da Nova Inglaterra.
Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os diospiros ardendo na sombra.
Quem tem assim o verão
dentro de casa não devia queixar-se de estar só,
não devia...."

Eugénio de Andrade