
Conhecemo-nos há muito. Não sabia que parecias um “raticaval”. Em pequenas buscas caseiras, dei com recordações. Álbuns, recortes, chiclas, (leia-se “meias-chiclas”), cartas. Estas ultimas, uma revelação. Para os meus doze anos, ainda hoje, foram, são uma revelação. Tão marcantes que até hoje me apetece rasgar tudo o que até ai tinha escrito. “Voltar” torna-se imperativo.
E assim vivemos tantas batalhas de arma ao ombro. Cada vez que íamos para uma, sabíamos que podíamos não voltar..tu, eu...ambos. Mas no fundo sabíamos sempre que isso não estava nunca nos planos. Resistimos. Vimos colegas a cair em pleno terreno de guerra...sem sangue de luta.
Regressávamos, Ensangüentados. Os filmes, as bombas de gasolina, os rebuçados “gelatinosos”, as batatas que ninguém gostava, o Porto. Nasci por lá. Conheço-o por muita gente. Tenho lá familiares, amigos, raízes, uma história. A Ribeira, o Cais de Gaia, o Museu dos Presuntos. Nada era novo... até os visitarmos juntos. Eu parecia conhecer mais da invicta do que tu... e como sentia que me mostravas um Mundo desconhecido. Explicaste-me cada rua, avenida, cada historia... cada olhar. Contigo aprendi a rir, a fazer rir, a rir ainda mais. A ser paciente, a ter paciência, a dar o braço a torcer. Contigo reaprendi. E sim, coisas boas!...
Lembro-me de marcarmos horas, da mesma forma que não as cumpríamos. E de gostar disso. Lembro-me do teu cheiro, associado a cada momento. Lembro-me de tudo. Só não me quero lembrar de como irei ao Porto, à Ribeira, ao Cais de Gaia, ao Museu dos presuntos. Quem de novo me mostrará uma coisa tão antiga, senão tu? Parece-me lógico que fique intrigado, aborrecido... mas não, não (exteriorizo) que esteja magoado. Mas... bolas! Era pedir assim tanto que chegasses ao fim da carta? Da página? Do Livro?
Tss... já não se fazem batalhas como antigamente!...
.LittleCharles
