
“Já sabes como ele é...”, “Dá um desconto...” , “Já sabes o que a casa gasta...”, “Já o conheces...” (...) Hei de ter 80 anos (se tiver), e hei de ouvir as mesmas frases, as mesmas vozes a pedir que desculpe alguém pelo feitio. Oitenta anos, sublinhe-se. Reforço oitenta porque não quis ser exagerado, numa de fugir à rotina. Quem usou palavras como “sempre” e “eternidade” pode muito bem não exagerar agora e dizer oitenta anos.
O Ser Humano tem capacidades fantásticas. Outras não... mas são essas que fazem as outras serem fantásticas, e que por isso são fantásticas também. Então reformulo a frase: O Ser Humano SÓ tem capacidades fantásticas. Uma delas é o facto de conscientemente poder optar, distingue-nos dos demais, ditos “animais”. Outra é possuir um subconsciente, que muitas vezes nos faz agir de forma inconsciente (prefiro acreditar).
Um facto que apoia o que disse anteriormente é quando, consciente ou inconscientemente, recorremos a defesas para suportar situações: ou porque nos chateamos sem razão, ou porque dizemos ou fazemos coisas “sem pensar” (...). Atitudes levadas a cabo por nós (ou pelo nosso subconsciente) para que consigamos suportar certas adversidades da vida, sejam elas quais forem, simples ou complexas. São barreiras e isso por si só é o suficiente. Quando tal acontece, ou pensamos para nós próprios, ou alguém nos relembra: “Já sabes como ele é...”, “Dá um desconto...” , “Já sabes o que a casa gasta...”, “Já o conheces...” (...). Quando mudar parece estar fora dos planos. É mais fácil descartar responsabilidades. Sempre foi. Da mesma maneira que apontar o dedo o é. Bem, o que é certo é que isso parece resultar para alguns, daí não criticar... apenas constatar.
Mas ate que ponto temos o direito de quebrar promessas, de mentir, de privar? Ah, já sei... vou continuar a desculpar pelo feitio. Fica aqui prometido. “Para sempre”. Dia 1 de Abril.
.LittleCharles
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