Quarto Mu(N)do, 7 Abril 2009
Querido Senhor José:
O meu nome é L. Começo esta carta felicitando-o pela sua sorte. Não apenas por tudo o que enumerou, mas pela capacidade que tem de se aperceber de tal. O sabor de ter 102 anos e se gabar de ter nascido. O carinho com que diz ser sortudo por “poder abraçar a sua mulher”, também ela sortuda, por ter partilhado uma vida inteira consigo e ainda se poder gabar de tais palavras. Um amor! O seu positivismo, bom coração e alegria de viver, fizeram-me pensar... espero não ter sido o único. Conseguir agradecer o facto de a sua vida se ter cruzado com a dos seus Amigos, erguer a cabeça e se conseguir despedir deles... é de se lhe tirar o chapéu.
“Eu vivi momentos piores do que este”. Questiono-me quais, assim como a sua gravidade... pois conseguem ser irrisórios face a tudo de bom que a vida lhe proporcionou. Quero viver momentos piores do que estes também, e no fim “só recordar as coisas boas”.
Mas esta carta é inevitavelmente acompanhada de uma questão... é preciso toda a gente chegar aos 102 anos para ter a consciência de não perder tempo com parvoíces, e ir a procura daquilo que lhes faz feliz? Quero acreditar que não Senhor José, mas está difícil. Quero chegar ao fim e a única coisa a apontar à vida, seja mesmo a brevidade. Realmente, estamos mesmo aqui para ser felizes...! Um bem haja Senhor José... um bem haja.
Atenciosamente,
.LittleCharles
P.S.: Quanto a ti “pequenina”, foi a melhor altura para vires ao Mundo... só te fará mais forte... (e diz-se por aí que esses é que se safam à grande!).
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