segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ando a dormir demais...


Não me apetece escrever, da mesma forma que não me apetece fazer nada. Mas escrevo e tento fazer qualquer coisa. Escrevo porque me sinto mais perto (mesmo que não saiba de quê), faço qualquer coisa porque a vida assim está estipulada.

   Não me lembro de um dia que não vá contra mim. Que não lute comigo próprio. Questiono-me porque se mente. Questiono porque se diz e faz tanta coisa ruim.

   Hoje é assim, um post pequeno mas intenso.

   Sinto a falta de quem já partiu deste Mundo. Mas foi apenas deste Mundo, dito real. Esses sim, teriam algo a dizer... saberiam como usar as palavras, como sempre souberam. Ultimamente sinto cada vez mais falta de tudo, ainda que muitas coisas não devesse sequer “sentir”, quanto mais a “falta”.

   Deve ser por isso que me apetece tanto dormir... encontro-me com eles todos. E depois é sempre como hoje: acordo!

 

(ou devia... )

 

 

.Little Charles

sábado, 18 de abril de 2009

O Pinóquio de cada um...


Nem sou de me incomodar. Mas hoje estou assim, incomodado! Detesto faltas de palavra, de confiança, de princípios. Só me lembro de ter faltado a palavra por uma razão: para bem, sempre em prol de beneficiar, nunca de prejudicar.

O Ser Humano incomoda-me. As, ditas, defesas do Ser Humano, incomodam-me. O baixar de nível do Ser Humano, incomoda-me. Mas não deveria estar nem um pouco incomodado. Porque descarrego no Ser Humano, características de pessoas que não o são. Alias, não podem ser. O Ser Humano não tem razoes para ser assim. Somos racionais, conscientes, julgo que sempre cientes das nossas atitudes e consequências das mesmas. Não vamos agir de cabeça quente, nunca. Pode não haver retrocesso possível. E aí vamos pensar... pensamos sempre quando já não há volta a dar. Não devemos esquecer quem amamos. Não nos devemos desculpabilizar na altura de nos penitenciarmos. Não devemos inverter os papeis só para ser mais fácil. O fácil torna-se difícil, assim como o barato se torna caro.

A verdadeira culpa está em quem se deixa incomodar. Hoje vamos dar a volta a isto. Farei minhas as tuas palavras “Deolinda”,

 

“Agora sim damos a volta a isto

Agora sim há pernas para andar

Agora sim eu sinto o optimismo

Vamos em frente ninguém nos vai parar.”

 

Não se incomodem. Não se iludam. Quem quer o vosso bem, quer sempre. Caso contrario nunca o quis. Orgulhem-se de serem quem são, e nunca esqueçam quem amam. Fará de vós pessoas de valor, de amor próprio. Tratar mal é fácil, fazer o bem custa. Mas vamos pelos caminhos difíceis. Dão mais gosto no final. E no final tudo dá certo… se não deu, é porque ele ainda não chegou.

Devíamos todos, em certa altura da nossa vida, passarmos por “Pinóquios”. Punha-mos os pratos limpos. Devia-nos crescer o nariz perante a mentira, sermos de madeira para podermos bater com a cabeça e no final…sim, no final… tornarmo-nos todos meninos e meninas de verdade.

 

.LittleCharles

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Passing By...


Gostava ser vazio de sentimentos. Passar pela vida, sem sentir. Sem objectivos, sem ligações, sem dor. Não me venham dizer que não é possível, conheço quem seja. Era tudo tão mais fácil...

Se não tivesse objectivos, contentava-me com o que a vida me desse... sem exigir de mim, dela. Se não fosse ligado a nada, nem a ninguém... não teria raízes. Seria vazio, eu sei. E então?

Quem nunca sofreu por algo, o único “sofrimento” que tem (porque acaba por ser apenas “curiosidade”) é o de querer saber como seria. É como um grande amor. Contam-se pelos dedos quem já amou de verdade. Quem não amou, não sofreu. Pelo menos por isso não sofreu... sofre por não saber como é. Mas é um sofrimento relativo. Dizem que têm “pena”, mas só precisam de uns segundos e já estão bem outra vez. É como que “sofrer por antecipação”. Há quem diga que pode estar acoplado ao “medo”, ao “receio”. Talvez.

Certo dia, disseram-me:

“Cada um de nós tem o amor de uma vida... podes conhecer várias pessoas de uma vida... mas amor só vai haver um... e esse é o teu. A maioria das vezes o amor da nossa vida não é a pessoa que vai ficar connosco até ao fim dos nossos dias. Mas é mesmo assim: custa, enfrentas, ultrapassas e depois recordas sempre com muita tristeza, remorsos, arrependimento até.... mas é o amor da tua vida! Por vezes o amor da nossa vida é alguém com quem a relação já estava "destinada" a não funcionar... mas é ele. Quando nos cruzamos o coração pula, chora, ri, chama... Meu Deus, é um turbilhão de sentimentos, mesmo quando se está de mão dada com outra pessoa!... Não há nada a fazer... Há coisas na vida que não podemos simplesmente dizer- Não quero, obrigado!“.

Assusta a veracidade disto, por isso prefiro questionar primeiro. Ganho tempo. Custa pensar que o amor da nossa vida se possa cruzar connosco, com um menino de três anos e dizer “ Diz olá a este senhor, colega da mamã”. Isto sim, é passar pela vida. Isto sim dói, assusta, faz tremer o chão. Não sou capaz de ter outra vida que não a minha. Isso seria hipocrisia. Iria sofrer na mesma... e para isso prefiro sofrer sozinho, com alguns objectivos, algumas ligações e muita dor.

Acho que já não quero ser vazio de sentimentos. Além do trabalho que me daria agora, já não conseguiria. Portanto só preciso arranjar um plano B. Só preciso que à minha volta exista luta, exista vontade de mostrar. E não me venham com tretas que não somos todos iguais, que as vezes é difícil “mostrar” o que quer que seja, quando até um ladrão sabe que o mais difícil, é esconder..............

 

 

.LittleCharles

terça-feira, 7 de abril de 2009

Porque o tempo passa muito depressa...


Quarto Mu(N)do, 7 Abril 2009

 

Querido Senhor José:

 

            O meu nome é L. Começo esta carta felicitando-o pela sua sorte. Não apenas por tudo o que enumerou, mas pela capacidade que tem de se aperceber de tal. O sabor de ter 102 anos e se gabar de ter nascido. O carinho com que diz ser sortudo por “poder abraçar a sua mulher”, também ela sortuda, por ter partilhado uma vida inteira consigo e ainda se poder gabar de tais palavras. Um amor! O seu positivismo, bom coração e alegria de viver, fizeram-me pensar... espero não ter sido o único. Conseguir agradecer o facto de a sua vida se ter cruzado com a dos seus Amigos, erguer a cabeça e se conseguir despedir deles... é de se lhe tirar o chapéu.

            “Eu vivi momentos piores do que este”. Questiono-me quais, assim como a sua gravidade... pois conseguem ser irrisórios face a tudo de bom que a vida lhe proporcionou. Quero viver momentos piores do que estes também, e no fim “só recordar as coisas boas”.

Mas esta carta é inevitavelmente acompanhada de uma questão... é preciso toda a gente chegar aos 102 anos para ter a consciência de não perder tempo com parvoíces, e ir a procura daquilo que lhes faz feliz? Quero acreditar que não Senhor José, mas está difícil. Quero chegar ao fim e a única coisa a apontar à vida, seja mesmo a brevidade. Realmente, estamos mesmo aqui para ser felizes...! Um bem haja Senhor José... um bem haja.

Atenciosamente,

 

.LittleCharles

 

 

P.S.: Quanto a ti “pequenina”, foi a melhor altura para vires ao Mundo... só te fará mais forte... (e diz-se por aí que esses é que se safam à grande!).



sexta-feira, 3 de abril de 2009

Vamos todos fraquejar?


“Em física clássica, a força (F) é aquilo que pode alterar (num mesmo referencial assumido inercial) o estado de repouso ou de movimento de um corpo, ou de deformá-lo.”

A força altera tudo, movimenta por onde passa… chega a ser tão forte que adquire a capacidade de deformar. Isto quando ela existe, caso contrário somos invadidos por uma súbita onda de fraqueza. E não será a força uma forma de fraqueza? Assim como o ódio, que dizem ser uma forma de amor... a que se segue, no processo dito “normal” da vida. Senão vejamos: se estou forte, é porque fraquejei; se estou fraco, preciso de meios para me sentir forte... mesmo que seja utópico. A força de terceiros tem, por vezes, a capacidade de “alterar o nosso estado de repouso”, mexendo connosco, movimentando-nos (ou fazendo-nos movimentar), e aí por vezes fraquejamos. Não é normal alguém ser forte de forma desmedida, aliás nada que seja desmedido é bom. Tem de ser tudo com peso e medida, com prós e contras. O exagero estraga. O exagero do bom é capaz de criar mais danos que o do mau.

Ser fraco, ou melhor, fraquejar não e visto com bons olhos. Mas porquê? Porque é que quem fraqueja tem de o fazer pra si? Em silêncio? Hoje em dia, fraquejar é visto como a flatulência.Pode-se fraquejar, mas é mal visto socialmente. Desculpa-se, mas é mal visto socialmente. Tem-se pena de quem fraquejou, mas vangloria-se quem é forte. Se é defesa ou não, que importa? O importante é que é forte, não interessa se por dentro é uma alma fraca, podre... ou se vive a vida toda com uma capa e não consegue exprimir os sentimentos, lutar e ter o que realmente quer. Que importa isso? Desde que seja forte, nada mais importa.

-“Conheces o Armando?”

-“Aquele assim para o forte?”

Até nestas situações impingimos a força a terceiros! Não podemos dizer que é alto, boa pessoa e honrado. Não. “ É assim para o forte”. É carinhosa a palavra, meiga, dócil. Então vamos usá-la.

Obrigamos os outros a terem força. Parece que é o correcto. Porque é que não se pode fraquejar? É preciso fraquejar tudo para nunca mais se fraquejar pelo mesmo. É preciso curar. Vamos fraquejar todos juntos. Vamos escrever em pedras tudo aquilo em que fraquejamos... vamos subir a uma montanha e, simbolicamente, “jogar fora” tudo aquilo que não fraquejamos em condições. Daí para a frente vamos fraquejar até ao fim para não termos na nossa vida pedaços de fraqueza.

Um organismo em constante força, cansa-se... mas descansa a alma. Fraquejar não é nada mais, nada menos, que o descanso do corpo... e o cansaço da alma triste.

Queria ter postado ate ao final do dia 2... mas fraquejei. Fraquejei até ao fim, evitei mais uma pedra e agora estou cheio de...FORÇA!!!

 

 

.LittleCharles

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quando mudar parece estar fora dos planos...


“Já sabes como ele é...”, “Dá um desconto...” , “Já sabes o que a casa gasta...”, “Já o conheces...” (...) Hei de ter 80 anos (se tiver), e hei de ouvir as mesmas frases, as mesmas vozes a pedir que desculpe alguém pelo feitio. Oitenta anos, sublinhe-se. Reforço oitenta porque não quis ser exagerado, numa de fugir à rotina. Quem usou palavras como “sempre” e “eternidade” pode muito bem não exagerar agora e dizer oitenta anos.

O Ser Humano tem capacidades fantásticas. Outras não... mas são essas que fazem as outras serem fantásticas, e que por isso são fantásticas também. Então reformulo a frase: O Ser Humano SÓ tem capacidades fantásticas. Uma delas é o facto de conscientemente poder optar, distingue-nos dos demais, ditos “animais”. Outra é possuir um subconsciente, que muitas vezes nos faz agir de forma inconsciente (prefiro acreditar).

Um facto que apoia o que disse anteriormente é quando, consciente ou inconscientemente, recorremos a defesas para suportar situações: ou porque nos chateamos sem razão, ou porque dizemos ou fazemos coisas “sem pensar” (...). Atitudes levadas a cabo por nós (ou pelo nosso subconsciente) para que consigamos suportar certas adversidades da vida, sejam elas quais forem, simples ou complexas. São barreiras e isso por si só é o suficiente. Quando tal acontece, ou pensamos para nós próprios, ou alguém nos relembra: “Já sabes como ele é...”, “Dá um desconto...” , “Já sabes o que a casa gasta...”, “Já o conheces...” (...). Quando mudar parece estar fora dos planos. É mais fácil descartar responsabilidades. Sempre foi. Da mesma maneira que apontar o dedo o é. Bem, o que é certo é que isso parece resultar para alguns, daí não criticar... apenas constatar.

Mas ate que ponto temos o direito de quebrar promessas, de mentir, de privar? Ah, já sei... vou continuar a desculpar pelo feitio. Fica aqui prometido. “Para sempre”. Dia 1 de Abril.


.LittleCharles