



Da janela silenciosa. Um Mundo à parte, com vista panorâmica de quem está fora e acompanha a vida bem de perto...

Engane-se quem passa. O preto é tudo menos luto. É festa. Tudo feliz, tudo a cometer loucuras, até a do perdão. A queima das fitas é isto mesmo. A festa do exagero, do inicio, do final.
Muitos caracterizam-na pela sua intensidade assim como pela sua brevidade. Correm sorrisos, lágrimas, suspiros de alívio, saudade do que ainda não acabou, receio do futuro que ainda não chegou... e as seis da manhã, com o “copito” a mais no meio do barulho, reina o silêncio.
É aqui que paro. Olho em redor... apercebo-me que o que marca a nossa adolescência, não é a entrada na faculdade nem a saída desta. O que nos distancia de uma criança está, de forma personificada, bastante notório em todo o estudante que se veste a rigor. A capa negra.
Assim como na vida, a altura de trajar compara-nos ao “crescimento” (chamemos-lhe assim). Por esta altura somos tudo menos puros. Estamos com tantas defesas que nos sentimos pesados. Deixamos de ser crianças... deixamos de ser sinceros como éramos quando víamos uma pessoa gorda. Deixamos de fazer o que deveria ser o acertado, sem orgulhos, sem ressentimentos. Deixamos de ser nós para passarmos a ser frutos da sociedade, abrigando-nos de tudo que esta tem de pior (que é mais de metade). Simplesmente deixamos.
E o que as pessoas (ainda mais velhas) dizem disto? “Estás a crescer”. Crescer pelos visto e isso mesmo, é levar “patadas” e defendermo-nos de uma próxima. Crescer deve ser “nascer uma coisa e morrer outra”. É... deve ser isso. Quando damos por nós, estamos assim: vestidos de preto (de luto com a vida), e com uma capa que faz um calor tremendo, mas que nem assim a deixam de usar em dias de sol.
Desculpem se não me virem trajado, desculpem se sou muito “criança” para a minha idade. Se me desculparem, eu desculpar-vos-ei também. Quando estiverem trajados a rigor, tracem a capa em prol da tradição, apenas. Se assim o fizerem, podem acabar o curso como adultos, sem terem de voltar ao ensino básico. Cresçam sem a capa, senhores doutores!
.LittleCharles
Há pessoas marcantes. Há momentos marcantes. Há coisas que marcam. Por isso decidi dar a conhecer, um velho amigo. Conhecemo-nos desde pequeninos. A nossa relação não e como a de Voltaire com Deus, que dizia “Cumprimentamo-nos mas não nos falamos”. A nossa relação é mais uma amizade de infância, mais de “Cumprimento-o e ele, à sua maneira, lá me vai dando respostas”.
O seu nome é Horácio. E vai fazer parte, esporadicamente, deste rascunho que faço de quando a quando. De braços pequeninos e cabecinha grande, mostra-nos que podemos ir onde quisermos, que não existem barreiras, diferenças ou limitações. Ensinou-me a mim. Hoje passo o testemunho.
Bem vindo, Horácio.
.LittleCharles
(Clicar na imagem para aumentar).