segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Chorar em público...

Decidi, após uma longa ausência, postar algo que me sensibilizou. Ou talvez porque sempre gostei do que ele escreve, ou porque me identifiquei desde cedo com certas formas de pensar. Talvez. Mas não só. Gosto... e gosto de não ter razão de gostar. Apenas "porque sim".
Que tudo passe rápido, que tudo se resolva sem dor. É o meu desejo. O desejo dele foi esse e ainda outro... e é tão bom ler declarações assim. Por momentos a Maria João ficou mais quentinha, sem doença, invadida pela cura do amor. Que assim permaneça.

"Quando sair este jornal, a Maria João e eu estaremos a caminho do IPO de Lisboa, à porta do qual compraremos o PÚBLICO de hoje. Hoje ela será internada e hoje à noite, desde o mês de Setembro do ano passado, será a primeira vez que dormiremos sem ser jun...tos.
...
O meu plano é que, quando me expulsarem do IPO, ela se lembre de ir ler o PÚBLICO... e leia esta crónica a dizer que já estou cheio de saudades dela. É a melhor maneira que tenho de estar perto dela, quando não me deixam estar. Mesmo ficando num hotel a 30 passos dela, dói-me de muito mais longe.
...
O IPO consegue ser uma segunda casa. Nenhum outro hospital consegue ser isso. Podem ser hospitais muito bons. Mas não são como uma casa. O IPO é. Há uma alegria, um humor, uma dedicação e uma solidariedade, bem-educada e generosa, que não poderiam ser mais diferentes da nossa atitude e maneira de ser - resignada, fatalista e piegas - que são o default institucional da nacionalidade portuguesa. É graxa? Para que tratem bem a Maria João? Talvez seja. Mas é merecida. Até porque toda a gente que os três IPO de Portugal tratam é tratada como se tivesse direito a todas as regalias. Há muitos elogios que, não obstante serem feitos para nos beneficiarem, não deixam de ser absolutamente justos e justificados.

Este é um deles. Eu estou aqui ao pé de ti. Como tu estás ao pé de mim. Chorar em público é como pedir que nada de mau nos aconteça. É uma sorte. É o contrário do luto. Volta para mim."


Miguel Esteves Cardoso – 28-11-2011


(.LittleCharles)

Um comentário:

  1. Não há quem não se sensibilize quando se fala de cancro. E sei, por experiência, que não há mulher que leia isto e não deseje, no mais íntimo pensamento, ter um bocadinho da sorte da Maria João. Não há mulher que não deseje ser chorada em público, pelo menos uma vez na vida.
    Agradeço ao Miguel Esteves Cardoso este arrepio na espinha e ti, que me obrigaste a senti-lo.

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